Isto sem esquecer o mundo do audiovisual, com direito a uma sessão de cinema, um workshop que incluiu a “Guerra das Estrelas” e um making-of de um documentário animado.
O programa da That’s All Digital detalha dois tipos de atividade para o início do terceiro dia: Drone e Medical Experience. Assim, durante a manhã, os participantes dividiram-se em dois grupos que, à vez, puderam ficar a saber mais sobre o trabalho desenvolvido pelo IPCA nestes dois âmbitos.
No laboratório de interfaces eletrónicas, os jovens puderam ficar a conhecer de que forma “a eletrónica e programação se relacionam com outras áreas”, explicou o docente e investigador do IPCA, António Moreira.

O professor exemplifica com um objeto muito utilizado no dia a dia dos participantes: “um telemóvel não é só um telemóvel – existe um mundo por trás que se pode explorar”. A informação sobre as bases de qualquer equipamento, destaca ainda, é fundamental, uma vez que “temos de perceber como os sistemas funcionam para poder atuar sobre eles”.
O objetivo é mostrar que podemos ser “mais do que um utilizador final”, destaca António Moreira: “queremos abrir a curiosidade para o futuro e o apetite para a investigação”.

No laboratório, os participantes da That’s All Digital ficaram a conhecer alguns dos resultados da investigação realizada pelo IPCA e ainda alguns projetos de licenciatura. A maior parte dos projetos são centrados na área da saúde, um setor muito presente na investigação realizada por este instituto.
No final, foi ainda possível aos jovens colocarem-se “no lugar de um médico que efetua o controlo remoto de um robot cirúrgico”. De igual forma, numa outra estação, os estudantes puderam interagir com dispositivos de captura e processamento de bio-sinais, de leap motion e de realidade aumentada – tecnologias que “são o futuro” do mundo do trabalho, nomeadamente na área da saúde, garante o investigador.
A corrida dos drones
Noutro dos espaços da Escola Superior de Tecnologia, durante a manhã, os participantes da That’s All Digital puderam pilotar smartdrones, conhecendo o seu funcionamento e comandos. De acordo com o Diretor do Curso de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, José Brito, o objetivo foi “dar a conhecer a forma de programação dos drones, nomeadamente para competição", despertando "a curiosidade para as especificidades da área”.

Relativamente a competições, recorde-se que o IPCA é uma das entidades promotoras da iDrone Experience (http://www.idroneexperience.com/) – um evento nacional de drones que inclui competições de minidrones, hoovercraft e smartdrones.
Sendo os drones uma realidade cada vez mais presente, é importante obter informação sobre este mundo, realça José Brito. “E convém lembrar que os drones são robôs, estimulando assim o interesse pela área da robótica e mostrando que é possível desenvolver projetos interessantes”, realçou.
Na primeira experiência de pilotagem de drone, ressalvou o docente, é importante ter em conta a necessidade de comunicar os voos à Entidade Aeronáutica Nacional. A legislação, recordou, evolui no sentido de regular a utilização destes equipamentos que “servem a sociedade em catástrofes naturais e em reportagens, por exemplo”.
Vídeo resumo da edição de 2016 da iDrone Experience (Fonte: Canal do Youtube da Câmara Municipal de Braga)
Na utilização de drones, sublinhou José Brito, é ainda importante comandar o equipamento “com cidadania”. Questões como o direito à privacidade deverão ser sempre consideradas. “Controlando um drone, temos de nos comportar como nos comportamos sem o fazer – de forma cívica”, concluiu.
Animação em todas as frentes
O que têm em comum a ligação de um rapaz com um tigre, uma criança que brinca com um automóvel, a utilização de redes sociais e um enredo tecido à volta de um fio? Todas estas são histórias que foram representadas em vídeo, no âmbito da atividade do Laboratório de Audivisuais da Escola Superior de Design do IPCA.
Depois de almoço, os participantes assistiram a quatro curta-metragens de animação que, conforme esclareceu a diretora desta escola, Paula Tavares, evidenciar “todo o potencial digital do equipamento do IPCA e de todo o trabalho realizado”. De igual forma, o docente Paulo Mota Teixeira destacou “o potencial de todos estes filmes e a diversidade de técnicas que se podem aplicar”.


Neste sentido, os jovens tiveram a oportunidade de contactar de perto com diversas técnicas de animação – do motion capture ao chroma key, passando pela rotoscopia ou pelo desenho digital. Todas estas técnicas, destacou Paula Tavares, assumem grande importância na produção audiovisual atual. “Tudo tem uma componente de animação digital. É impossível, por exemplo, pensar num spot publicitário que não inclua esta vertente”, reforçou.

A interação com os equipamentos do laboratório audiovisual do IPCA ficou ainda marcada pelo workshop Star Wars, onde os jovens participantes da Semana do Digital puderam, com recurso à técnica do chroma key, vestir a pele de personagens desta saga. Na sala contígua, os estudantes puderam ainda meter mãos à obra e desenhar e colorir, com recurso aos softwares específicos de animação.
“Bem-vindos ao IPCA”
A atividade da tarde integrou ainda a intervenção do Presidente do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, Agostinho Silva, que deu as boas-vindas aos participantes, salientando a dupla oportunidade que a That’s All Digital representa. Se, por um lado, os jovens poderão “adquirir competências relevantes”, por outro, poderão também “fazer amizades e contactos” que serão muito importantes no futuro, salientou.

O Presidente do IPCA, Agostinho Silva
O presidente recordou a história deste instituto politécnico – uma instituição que aumentou "muito o número de alunos, num curto espaço de tempo”. Este crescimento, acrescentou, regista-se também do ponto de vista físico, com a expansão do campus, em Barcelos, e a abertura agendada de um pólo em Braga, dedicado aos Cursos Técnicos Superior Profissionais (CTeSP).
O making-of e o stop-motion
Depois da formação de um logótipo humano do IPCA, a última atividade do dia ficou reservada para antes de jantar, onde Patrícia Rodrigues e Joana Nogueira apresentaram aos estudantes o documentário animado Pronto, era assim. Esta curta-metragem conta as histórias de vida de seis idosos, com recurso a entrevistas, sendo animada em stop motion e complementada em animação 2D.
Pronto, era assim - Trailer from Patrícia Rodrigues on Vimeo.
Patrícia Rodrigues e Joana Nogueira eram estudantes do IPCA quando, em 2015, realizaram esta curta-metragem, no âmbito do seu trabalho de final de curso no Mestrado em Ilustração e Animação. Acompanhando o som das entrevistas, são os objetos animados que protagonizam o documentário.
Conforme relembrou Patrícia Rodrigues, os formatos de animação e documentário não são normalmente associados. Contudo, sublinhou, esta união “permite falar sobre assuntos de forma diferente, oferecendo também uma perspetiva diferente ao público”.

As realizadoras explicaram aos presentes o processo de stop motion, salientando o trabalho realizado “fotografia a fotografia”, num total de 12 imagens estáticas por segundo. Durante cerca de uma hora, foram explicados os detalhes envolvidos na construção de Pronto, era assim. De resto, as realizadoras trouxeram mesmo para esta sessão alguns dos materiais utilizados, oferecendo aos participantes da That’s All Digital a oportunidade de interagir com os mesmos.
Pronto, era assim – Making of 01 from Patrícia Rodrigues on Vimeo.
As criadoras revelaram ainda que este projeto nasceu quando, enquanto estudantes do IPCA, se conheceram e se aperceberam que partilhavam três objetivos: dinamizar um projeto de cariz social, em formato documental e que envolvesse stop motion.
A solução encontrada passou pelo trabalho de voluntariado, durante 9 meses, no Centro de Dia do Bonfim, onde foram encontradas as histórias que compõem a curta-metragem. Pronto, era assim, sublinhou ainda Patrícia Rodrigues, segue uma estrutura cronológica. “Começa com histórias de infância e termina nos dias de hoje”, concluiu.